Vulcões e Tectónica de Placas

Os principais alinhamentos de vulcões estão normalmente associados aos limites de placas tectónicas, coincidindo com regiões de intensa actividade sísmica . Atendendo à sua relação com as placas tectónicas, as zonas vulcânicas podem classificar-se em:

Zonas de vulcanismo de subducção

Estas zonas coincidem com regiões de convergência de placas tectónicas, onde se verifica o mergulho ou subducção de uma placa sob outra. Sob condições de temperatura e pressão adequadas ocorre, então, a fusão dos materiais rochosos e o aparecimento de câmaras magmáticas relativamente pouco profundas. Os vulcões associados a estas zonas, que correspondem a cerca de 80% dos vulcões activos. possuem uma natureza explosiva ou mista.

O conjunto mais significativo associado a este tipo de vulcanismo é o Anel de Fogo do Pacífico, que abrange todos os vulcões situados ao longo das margens do Pacífico e que englobai as vulcões da costa oeste americana, nomeadamente os vulcões do Alasca e dos Andes e também os do Japão e das Filipinas.

Zonas de vulcanismo de vale de rifte

O vulcanismo associado a zonas de rifte nas cristas médio-oceânicas é, geralmente, do tipo efusivo e fissural. Está relacionado com a produção de enormes quantidades de magma basáltico que acaba por formar os fundos oceânicos, podendo, em alguns casos, formar cones que emergem acima do nível do mar, originando ilhas vulcânicas, como é o caso dos vulcões da Islândia, Açores, Canárias e Cabo Verde ou das ilhas vulcânicas no interior do Pacífico.

Zonas de vulcanismo intraplacas

Os vulcões situados no interior das placas litosféricas, mais raros que os anteriores, são provavelmente o resultado da ascensão de colunas de material lávico de regiões do manto (plumas térmicas) que provocam o sobreaquecimento de zonas localizadas por baixo da litosfera (pontos quentes ou hot spots), sobre as quais as placas se deslocam. O facto de as placas se deslocarem sobre esses pontos origina, ao longo do tempo, vulcões que, após a sua extinção, ficam alinhados na direcção do movimento das mesmas. Pensa-se que as ilhas do arquipélago do Havai tiveram esta origem, encontrando-se neste momento a ilha do Havai sobre um desses pontos quentes. Os vulcões associados a estas zonas oceânicas possuem, em regra, uma natureza efusiva.

Vulcanismo em Portugal

Em Portugal continental não há fenómenos de vulcanismo ativo, mas existem vestígios de vulcanismo, por exemplo, em Trás-os-Montes, no Alentejo e no Algarve, sendo as águas termais as principais manifestações de vulcanismo secundário aí existentes. A ilha da Madeira, apesar de ter sido originada por fenómenos de vulcanismo, não apresenta qualquer vestígio de actividade vulcânica actual. O arquipélago dos Açores é uma zona propícia à actividade vulcânica, sobre-tudo as ilhas do grupo central e oriental, por se localizarem ao longo de um plano de falha. Para além de episódios recentes de vulcanismo activo (erupção dos Capelinhos — ilha do Faial, em 1957), é possível observar nessas ilhas sinais de actividade vulcânica passada, como as caldeiras — estruturas circulares que resultaram do abatimento da parte central dos vulcões, ou sinais de vulcanismo residual, como as fumarolas. Restas regiões vulcânicas é possível proceder ao aproveitamento da energia geotérmica associada ao calor libertado do interior da Terra.

O estudo dos fenómenos vulcânicos actuais conjugado com o conhecimento de formações geológicas de natureza vulcânica tem ajudado a deduzir as condições e os processos de evolução da superfície terrestre. A localização e correlação de extensos mantos basálticos em diferentes zonas continentais, resultado da ocorrência de enormes derrames de lava ao longo dos tempos geológicos, pode, por exemplo, esclarecer aspectos dinâmicos da tectónica de placas. Da mesma forma, alguns casos de extinção em massa verificados no passado podem ser explicados como resultado de alterações climáticas para as quais contribuíram as erupções vulcânicas.