Sistema Terra-Lua

O estudo do satélite terrestre revela-se do maior interesse para o conhecimento da história do nosso próprio planeta, uma vez que ao longo dos tempos a superfície e a estrutura da Lua apresentam praticamente as suas características de origem. Esta natureza quase “fóssil” da Lua permite inferir das condições associadas aos primeiros tempos da história da Terra, pois não existem no nosso planeta testemunhos com idade inferior a 3800 M.a., devido à sua actividade geológica interna e externa.

De entre os aspectos que mais contribuíram para o nosso conhecimento dos primórdios do Sistema-Solar, destacam-se o estudo da morfologia da superfície lunar e dos materiais rochosos colhidos nessa superfície. Esse estudo permitiu a caracterização de regiões com diferente natu­reza estrutural:

  • Mares lunares — superfícies planas e baixas constituídas por rochas escuras de natureza vulcâ­nica (basaltos), razão pela qual reflectem menos luz solar incidente. Estas regiões ocupam cerca de um terço da superfície lunar e predominam na sua face visível. Com idades relativa­mente recentes (da ordem dos 3160 M.a.), devem ter resultado de actividade vulcãnica indu­zida pelos impactos que a Lua terá sofrido após a sua fase de formação. Esses materiais vulcâ­nicos teriam preenchido algumas depressões existentes, originando essas zonas planas.
  • Continentes lunares — zonas altas e acidenta­das, formadas por rochas claras, que predomi­nam na face oculta. Encontram-se densamente marcados por crateras de impacto quê datam da época da formação da Lua. Nestas estrutu­ras encontram-se, portanto, as rochas mais Estas zonas são mais claras, reflec­tindo a luz do Sol que nelas incide. A área ocupada pelos continentes corresponde a dois terços da área total da Lua.

Quando comparada com a Terra, a Lua apresenta uma massa e densidade mais reduzidas. Este facto confere-lhe um fraco poder gravitacional que não possibilita a retenção de uma atmosfera. Esta propriedade, juntamente com a ausência de água, faz com que, na Lua, praticamente não exista erosão, para além daquela que resulta do impactismo. Esta reduzida actividade geológica externa associada a uma actividade interna quase ausente, reduzida a raros sismos, tornam a Lua um satélite geologicamente inactivo ou morto. Devido a este facto, é possível encontrar na superfície lunar, sobretudo nos continentes, em regiões menos afectadas por crateras de impacto, materiais rochosos correspondentes aos primeiros mil milhões de anos do Sistema Solar bem como matéria cósmica proveniente da nuvem que originou este sistema.