Processo de Comunicação Nervosa – Sinapse

O papel do sistema nervoso consiste em transmitir sinais, mensagens de um grupo de neurónios para outro: os neurónios são células especializadas em receber e em transmitir sinais às células vizinhas. A informação que circula ao longo dos neurónios designa-se por impulso nervoso ou influxo nervoso.

De forma muito simples, vamos descrever o processo que ocorre quando há uma informação a ser transmitida. Assim:

  1. Entrada: as dendrites captam o estímulo, os sinais que podem ter origem nos neurónios vizinhos;
  2. Os sinais são integrados;
  3. Gera-se um impulso nervoso;
  4. O impulso nervoso é transmitido ao axónio e conduzido às ramificações axónicas;
  5. Saída: as ramificações dos axónios aproximam-se das dendrites do neurónio vizinho transmitindo o sinal através da sinapse.

Vamos passar a analisar com mais pormenor este processo de transmissão.

A sinapse e a comunicação nervosa

Não existe uma relação física entre os neurónios, ocorrendo na transmissão da informação um processo muito pelicular. É através da sinapse que as mensagens são transmitidas. A sinapse é uma zona de interação entre neurónios; é uma unidade estrutural e funcional que permite que dois neurónios comuniquem. Na sinapse estabelece-se uma comunicação entre um prolongamento do axónio do neurónio, que se designa por “pré-sináptico” ou neurónio emissor, com a membrana ou a dendrite de outro neurónio, que se designa por “pós-sináptico” ou neurónio recetor. As membranas dos dois neurónios não estão em contato direto: estão separadas por uma fenda, que se designa por: fenda sináptica.

A sinapse, que tem por função a troca de informações entre dois neurónios, põe em comunicação três componentes fundamentais:

  • O botão pré-sináptico – a transmissão axónica do neurónio emissor;
  • A membrana pós-sináptica – localizada na dendrite ou corpo celular do neurónio recetor;
  • A fenda sináptica – espaço cheio de líquido compreendido entre os neurónios.

A energia nervosa é de dois tipos, elétrica e química. Ao nível das dendrites, a energia é eletrica, passa pelo corpo celular e percorre o axónio. Ao nível da sinapse, o impulso nervoso transforma-se em energia química por efeito de moléculas que se designam por neurotransmissores. As mensagens nervosas ocorrem, portanto, por processes eletroquímicos.

Uma análise feita através de um microscópio eletrónico da terminação pré-sináptica identifica pequenas esferas chamadas vesículas sinápticas. Estas vesículas contem substâncias químicas que, sob o efeito da atividade eletrica do axónio, se libertam na fenda sináptica As substâncias químicas, que se designam por neurotransmissores ou transmissores sinápticos, atravessam a fenda sináptica e são captadas pelos recetores situados na superfície do neurónio pré-sináptico. Este, por sua vez, envia um influxo elétrico à sinapse seguinte, e assim sucessivamente.

Durante muito tempo pensou-se que a mensagem nervosa transmitida entre dois neurónios era apenas de natureza elétrica. For Loewi quem, em l920, descobriu que os responsáveis pela transmissão do sinal nervoso eram os neurotransmissores. São estas substâncias químicas que estabelecem contacto com as células vizinhas sobre as quais provocam respostas elétricas pela inibição ou pela excitação.

A função principal do neurónio e a transcrição de impulses nervosos. Quando um neurónio é estimulado, as suas características elétricas ou químicas alteram-se produzindo uma corrente. Esta corrente, construída pelos impulsos nervosos, que circulam nos nervos, designa-se por influxo nervoso.

Pode-se falar de mensagem porque o influxo nervoso e uma instrução dada à célula que o recebe para fazer qualquer coisa. A mensagem, o influxo, é uma corrente elétrica semelhante a corrente que circula num fio de telefone. A “Corrente elétrica” do influxo nervoso é transportada por um fluxo de iões através de um líquido. É a própria libra nervosa que gera a corrente que circula nela. O influxo nervoso depende das características da membrana que envolve o axónio; estas membranas têm diferenças de permeabilidade que originam diferentes de potencial entre o exterior do axónio e o seu interior.