Os animais são inteligentes? – Inteligência Animal

Como sabemos o comportamento do Homem é orientado pela inteligência, pensamento e consciência, o comportamento animal pensava-se que apenas se regia por instintos inatos e reflexos condicionados, aprendidos: comportamentos aparentemente inteligentes mais não eram do que respostas mecânicas a estímulos com origem nos meios externo e interno. Charles Darwin, na sua obra La Filiation de l’Homme, (traduzido para português – A Origem do Homem) de 1871, defendia que os animais eram inteligentes e que tinham capacidades de raciocínio.

As investigações sistemáticas sobre a inteligência animal vieram mostrar que a maior parte dos vertebrados têm capacidade para aprender e resolver problemas. Conclui-se que a inteligência animal esta relacionada com o desenvolvimento do sistema nervoso central, particularmente o tamanho e a complexidade do cérebro.

Há animais que apresentam alguns processos cognitivos semelhantes aos dos seres humanos, que resolvem problemas recorrendo a estratégias semelhantes às nossas.

Entre os animais considerados mais inteligentes estão algumas aves – papagaios e corvídeos -, cetáceos -, golfinhos e baleias -, e outros mamíferos – cães, cavalos e macacos.

A capacidade de adaptação e a forma de resolver problemas manifestam as capacidades do animal. Alguns dos comportamos observados deixam-nos perplexos pela sua eficácia e pela forma engenhosa como são resolvidos. Correu mundo um filme em que gralhas na Califórnia, aproveitavam o sinal vermelho dos semáforos para colocar nozes na estrada. Os carros, ao passar, quebravam as cascas e logo que o sinal passava a verde as aves iam comer o miolo da noz!

Experiências feitas com papagaios mostram que são capazes de resolver problemas de lógica simples: conseguem “classificar“ figuras geométricas em função da sua cor, forma e número. Gavin Hunt descreve, em 1996, 0 comportamento das gralhas da ilha de Nova Caledónia que fabricam, com ramos das árvores, canas que depois usam para desalojar os insetos que se encontram escondidos nos buracos das árvores. Outros investigadores testemunham que os Abutres-do-Egipto usam pedras para partir os ovos de avestruz.

Ainda as gralhas que enterram milhares de sementes ao longo de quilómetros; mais tarde quando a comida escasseia e têm fome, são capazes de as encontrar.

Novas perspectivas da inteligência animal

É Jane Goodall quem, desde a década de 60, desenvolve investigações sobre o comportamento dos chimpanzés, chegando a viver com eles no seu habitat natural, na Tanzânia. Mostrou que usavam com eficácia alguns utensílios, como pauzinhos para recolher térmitas e pedras para partir nozes. Concluiu, ainda, que estes animais têm capacidade de transmitir as suas descobertas aos seus descendentes e vizinhos, portanto, que têm um embrião de cultura.

Em 1999, a revista Nature publicou uma síntese de observações sobre o comportamento de chimpanzés que se fizeram ao longo de 151 anos; concluía-se que existia uma verdadeira cultura transmitida de geração em geração e que diferentes grupos de chimpanzés desenvolviam formas distintas de resolver problemas semelhantes, que gesticulavam de um modo que outros a poucos quilómetros de distância desconheciam.

Neste trabalho, que contou com a colaboração de Jane Goodall, mostrava que as variações de comportamento não eram devidas às características geográficas ou ecológicas. Os diferentes modos de atuar para apanharem formigas ou abelhas, fazer a corte às fêmeas on assustar os seus rivais, eram uma variação de tipo cultural transmitida de geração em geração.

Em 2004, investigadores testemunharam no Congo que também os gorilas se serviam de utensílios de forma eficaz: uma fêmea (Leah) usou um ramo de uma árvore para medir a altura de um charco que pretendia atravessar e para lhe dar estabilidade quando o cruzou.

Uma outra (Efi) apanhou um tronco, espetou-o no charco com as duas mãos; apoiou-se nele com uma mão enquanto com a outra apanhava plantas aquáticas. Depois pegou no tronco e colocou-o no chão para servir de ponte nas zonas de águas mais profundas.