O que é a Resiliência – Conceito

O  termo teve a sua origem em Física e designa a resistência do material aos choques e é capacidade de uma estrutura absorver a energia cinética do meio sem romper.  Hoje, a expressão resiliente aplica-se fundamentalmente às crianças que crescem em ambientes de privação e de risco (ex.: violência e maus-tratos) e que conseguem ultrapassar eficazmente os traumas vividos. Fogem ao ciclo de violência, ao fatalismo de criança que sofre violência, será um adulto violento, delinquente, socialmente desajustado.

O psicólogo Elwin James Anthony desenvolveu um estudo sobre crianças que tinham sofrido maus-tratos ou situações traumáticas ou que eram oriundas de famílias onde havia problemas de alcoolismo ou outros e que as tornariam mais vulneráveis. Em 1980, dedica um livro ao tema: The Vulnerable Child.

Conclui, entretanto, que, entre as crianças que designa por vulneráveis, há algumas que se desenvolvem de forma equilibrada, o que lhe mereceu uma reflexão no livro The Invulnerable Child, em 1987.

É a psicóloga Emmy Werner quem vai aprofundar a questão num estudo que desenvolve numa zona do arquipélago do Hawai. Das 698 crianças nascidas em 1955, destaca um grupo de 201 bebés considerados de risco. Durante 32 anos, ela e os seus colaboradores acompanharam o desenvolvimento destes bebés, concluindo que, até à adolescência, um terço das crianças não apresentava qualquer problema; dois terços resolveram os seus problemas até aos 30 anos, integrando-se na sociedade; só 6% tiveram necessidade de apoio psicológico. Emmy Werner designou as crianças que resistiram às adversidades de “crianças resilientes”.

A resiliência, que é, no fundo, a capacidade de resistir à adversidade, é um processo, não um estado e, por isso, uma pessoa pode ser mais resiliente num momento da vida do que noutro.

Geralmente, os investigadores identificam alguns fatores que designam por “fatores de proteção“: individuais, familiares e extrafamiliares. Os primeiros são característicos como a inteligência, a autoestima, a autonomia e o humor. A família, designadamente os pais, são elementos que permitem resistir melhor às situações traumáticas.
Às vezes, os pais são substituídos por um adulto significativo, uma irmã, os avós, os tios.

Outros fatores identificados são a escola – onde a criança pode participar em relações e atividades que sejam fonte de confiança e autoestima. O encontro com pessoas significativas – por exemplo, um professor – pode ser muito importante. É o conjunto das defesas que permitirá que a criança elabore comportamentos que Ihe permitam resistir e ultrapassar as situações. O conceito de resiliência tem sido alargado à capacidade de resistir a situações adversas.