Movimento dos Continentes: Placas Tectónicas

Uma teoria científica corresponde a uma explicação suficientemente testada e largamente aceite que melhor esclarece, determinados factos observados ou problemas levantados . As teorias têm um carácter provisório, sendo aceites até que novos dados ou diferentes interpretações de dados já conhecidos as ponham em causa. O conhecimento científico é, por isso, um esforço de construção contínuo, assente tanto na refutação de explicações inconsistentes ou erradas como no aperfeiçoamento de hipóteses válidas. O debate em torno das causas associadas ao movimento relativo dos continentes haveria de dominar as ciências geológicas ao longo do século XX.

O primeiro grande modelo explicativo para o afastamento e aproximação dos continentes foi a teoria da deriva continental proposta por Alfred Wegener. Esta hipótese, assente na ideia de flutuação das massas continentais sobre uma camada subjacente mais densa e fluida, chocou fortemente com as ideias imobilistas acerca da superfície terrestre e das bacias oceânicas.

O aparecimento de novos dados, em conjunto com os existentes, abriu novas perspectivas que conduziram à formulação da teoria da tectónica de placas. De acordo com esta perspectiva, os continentes não são mais que regiões emersas de grandes blocos em que a superfície sólida da Terra se encontra dividida. De facto, a camada exterior sólida da Terra está fragmentada em várias placas litosféricas que se encontram em constante movimento entre si. Este movimento é alimentado pelas correntes de convecção resultantes de uma desigual distribuição do calor interno da Terra.

Uma vez que cada placa se move como uma unidade distinta, a interacção entre as diferentes placas ocorre, sobretudo, nas suas frontèiras ou limites. A definição dos contornos dessas frontei­ras foi possível graças ao levantamento dos sismos e vulcões realizado a nível planetário. Estudos posteriores vieram esclarecer os diversos tipos de limites

Limites das placas tectónicas

  • divergentes — zonas a partir das quais as placas se afastam, com formação de novo material rochoso
  • convergentes — zonas onde as placas se aproximam umas das outras, ocorrendo o afunda­mento de uma delas e a sua destruição
  • conservativos — zonas onde as placas deslizam umas relativamente às outras, sem formação ou destruição de material rochoso

Limites das placas tectonicas

A teoria da tectónica de placas pode ilustrar claramente a tendência atual para considerar o uniformitarismo e o catastrofismo como duas faces da mesma moeda. O movimento das placas tanto pode gerar fenómenos violentos de natureza catastrófica, de que são exemplos os sismos e os vulcões, capazes de alterar brusca e significativamente a superfície terrestre e de contribuir para fenómenos de extinção, como fenómenos tranquilos de natureza lenta e contínua, praticamente imperceptíveis enquanto processos, como os levantamentos montanhosos e a deformação dos maciços rochosos.