Magmatismo

As rochas magmáticas ou ígneas são as que resultam da solidificação ou cristalização de material em fusão. Este material — magma — é uma mistura complexa de materiais fundidos, de composição essencialmente silicatada e com uma componente gasosa variável. Formam-se em locais não muito profundos em que a temperatura atinge valores compreendidos entre os 800 °C e os 1500 °C.

Apesar da grande diversidade de rochas magmáticas, os magmas que as originam podem ser enquadrados em três tipos, definidos em função do seu teor em sílica:

  • magmas com elevado teor de sílica (superior a 65%), muito viscosos e que cristalizam, praticamente na sua totalidade, no interior da crosta terrestre, originando rochas como o granito; caso esse arrefecimento ocorra à superfície, originam-se rochas como o riólito;
  • magmas com baixo teor em sílica (inferior a 50%), fluidos, oriundos do manto que atravessam a crosta com muita facilidade; por esta razão, 95% das rochas originadas partir de erupções vulcânicas correspondem ao basalto; no caso destes magmas arrefecem em profundidade, originam o gabro;
  • magmas com composição intermédia (teor em sílica variável entre 50% e 65%). Quando o seu arrefecimento se verifica à superfície, originam rochas como o andesito; em profundidade, o seu arrefecimento dá origem a rochas como o diorito.

Diferenciação magmática

À medida que os magmas vão arrefecendo no interior das câmaras magmáticas, verifica-se a cristalização de minerais com estrutura e composição química bem definidas. Uma vez que os materiais cristalizados deixam de fazer parte do magma, formam-se fracções magmáticas com composição diferente do magma inicial. Este processo, designado por diferenciação magmática, permite que a partir de um só magma inicial se formem rochas muito diferentes.

Entre os factores que contribuem para a diferenciação magmática, é de destacar a importância da cristalização fraccionada como mecanismo que permite a formação sequencial dos diferentes minerais. Durante o arrefecimento dos magmas, os minerais não cristalizam todos ao mesmo tempo. Primeiro formam-se os minerais com ponto de fusão mais elevado e, seguidamente, a par­tir da fracção magmática restante, vão cristalizando outros, numa sequência decrescente de pontos de fusão. Norman Bowen estabeleceu uma ordem segundo a qual se processa a formação dos principais minerais que constituem as rochas magmáticas. No modelo sequencial que propôs, Bowen considerou a existência de duas séries de minerais:

  • Série descontínua — corresponde a minerais ferromagnesianos (ricos em Fe e Mg) cuja estrutura cristalina difere ao longo da sequência de cristalização. Nesta série, a olivina é o primeiro mineral a cristalizar, ao qual se segue a piroxena, a anfíbola e, por fim, a biotite.
  • Série contínua — corresponde a minerais do grupo das plagióclases que mantêm a mesma estrutura cristalina ao longo da sequência de cristalização. Nesta série, o balanço entre o cálcio e o sódio, constituintes das plagióclases, vai-se alterando ao longo da sequência, formando-se, em primeiro lugar, plagióclases cálcicas e, por último, plagióclases sódicas.

No final formam-se feldspatos potássicos, a moscovite e o quartzo, que não pertencem a nenhuma das séries anteriores. Neste processo de cristalização fraccionada, uma parte dos minerais formados a alias temperaturas reage com o magma remanescente, transformando-se noutros minerais. Por exem­plo, os minerais de olivina que não se diferenciam do magma residual reagem com ele formando cris­tais de piroxena. Esta, uma vez formada, pode reagir também com o magma residual, originando a anfibola, e assim sucessivamente. Este fenómeno acontece também na série contínua.

Pode também ver informação sobre as rochas magmáticas.