Idade Relativa e Idade Radiométrica

Através da determinação da idade relativa é possível sequenciar acontecimentos geológicos ocorridos no passado. Esta forma de datação não permite afirmar a idade das estruturas geológicas, mas antes situar as ocorrências antes ou depois umas das outras. Esta ordenação dos fenómenos no tempo é feita recorrendo a princípios básicos da estratigrafia, como, por exemplo, o princípio da sobreposição dos estratos. De acordo com este princípio, é possível afirmar que os estratos, bem como os fósseis neles contidos, são mais antigos quanto mais abaixo estiverem numa sucessão de estratos. A simplicidade deste raciocínio choca muitas vezes com a sua aplicação prática, uma vez que as deformações e falhas ocorridas nos estratos tornam, por vezes, muito difícil determinar a sequência original de formação.

A datação radiométrica constitui o processo mais importante na definição da idade radiométrica, ou absoluta, dos materiais terrestres. Este processo de datação baseia-se na tendência que certos átomos de determinados elementos químicos evidenciam para emitirem partículas e radiação a partir dos seus núcleos instáveis, emissão essa designada por radioactividade. Devido a esse facto, chamam-se a essas espécies químicas radioisótopos. Quando um núcleo radioactivo se desintegra (isótopo-pai), os produtos formados podem também ser instáveis, podendo, por isso, desintegrar-se posteriormente.

Este processo repete-se até se formar uma espécie química estável (isótopo-filho). Este processo de transformação nuclear é designado por decaimento. Por exemplo, o tório, com um número de massa de 232, sofre decaimento radioactivo até se transformar em chumbo, com número de massa de 208.

Conhecendo o tempo necessário para que um elemento instável decaia para um mais estável e avaliando a presença relativa dos dois nas rochas, é possível determinar a sua idade. Note-se que estes cálculos assentam no pressuposto de que a taxa de decaimento permanece constante e de que não houve contaminação ou perda do isótopo-pai ou filho considerados no processo de datação.