Formação do Sistema Solar

A formação do Sistema Solar e a origem da Terra suscitaram diferentes explicações científicas ao longo do tempo. Actualmente, mesmo o modelo explicativo mais consistente continua sujeito a aperfeiçoamentos e alterações, podendo, eventualmente, vir a ser substituído por outro. O conheci-mento que temos acerca da origem do Sistema Solar resulta, essencialmente, de dois tipos de fontes:

  • observação astronómica das estrelas nascentes e exploração do nosso próprio Sistema Solar;
  • estudo de estruturas que conservaram intacta a memória das origens do Sistema Solar, como, por exemplo, a Lua e os meteoritos que nos chegam do Espaço. Da combinação das informações recolhidas resulta uma ideia aproximada da sequência dos acontecimentos que terão originado os sistemas planetários.

Como se formou o Sol e os planetas

A teoria atualmente mais aceite relativamente à formação do Sistema Solar é a hipótese nebular. Segundo essa hipótese, o Sistema Solar teria sido originado, há cerca de 4600 M.a., a partir de uma vasta nuvem de gás e poeiras — a nébula solar —, num processo evolutivo a que se associa a seguinte sequência de acontecimentos!

  • Contracção da nébula graças à existência de uma força de atracção gravítica gerada pelo aumento de massa na região central da nebulosa. Esta contracção da nébula terá provocado o aumento da sua velocidade de rotação.
  • Achatamento até à forma de disco, com uma massa densa e luminosa de gás em posição central, o proto-sol, correspondente a cerca de 99% da massa da nébula.
  • Durante o arrefecimento do disco nebular, em torno do proto-sol ter-se-á verificado a condensação dos materiais da nébula em grãos sólidos. As regiões situadas na periferia arrefeceriam mais rapidamente que as próximas da estrela em formação. Uma vez que a cada temperatura corresponde a condensação de um tipo de material com determinada composição química, terá ocorrido uma separação mineralógica de acordo com a distância ao Sol.
  • Em cada uma das zonas do disco assim originadas, a força da gravidade provocatia a aglutinação de poeiras, que formariam pequenos corpos chamados plánetesimais, com diâmetro de cerca de 100 m. Os maiores desses, corpos atraíram os mais pequenos, verificando-se a colisão e o aumento progressivo das dimensões dos planetesimais. Todo este processo, denominado acreção, conduziu à formação de corpos de maiores dimensões, os protoplanetas, e, posteriormente, aos planetas.
  • Em condições de elevada temperatura, a Terra e outros planetas terão sofrido processos que contribuíram para a sua configuração actual. A diferenciação resultante do movimento dos materiais mais densos para o interior da Terra, por acção da força da gravidade, contribuiu para a actual disposição concêntrica das diferentes camadas que a constituem com valores decrescentes de densidade do centro para a periferia. Um aspecto particular deste processo foi a desgaseificação. Este fenómeno, traduzido na libertação de grandes quantidades de vapor de água e outros gases do seu interior, estaria na origem da formação e manutenção da atmosfera primitiva, uma vez que a força gravítica do nosso planeta é suficientemente forte para reter os gases que se libertavam do seu interior.