Crescimento e Renovação Celular – DNA e RNA

As células dos seres vivos são sistemas abertos que trocam constantemente materiais e energia com o meio externo. Estas trocas permitem à célula manter uma intensa actividade interna que garante a produção de energia e a síntese de macromoléculas indispensáveis ao seu crescimento, funcionamento e multiplicação. Das macromoléculas sintetizadas destacam-se as proteínas, atendendo à grande variedade de funções que desempenham quer a nível celular, quer a nível orgânico.

A síntese proteica é um fenómeno complexo através do qual são produzidas proteínas que conferem especificidade a uma dada célula, a um órgão ou a um organismo de determinada espécie. As proteínas produzidas nas células de cada organismo são determinadas pelas infor­mações específicas contidas no material genético de cada espécie.

Os ácidos nucleicos, DNA e RNA, são polímeros constituídos por unidades denominadas nucleótidos. Cada nucleótido é constituído por:

  • uma pentose — desoxirribose no DNA e ribose no RNA;
  • um grupo fosfato;
  • uma base azotada — no DNA, adenina (A), timina (T), citosina (C) e guanina (G), e no RNA, adenina, uracilo (U), citosina e guanina.

A ligação entre dois nucleótidos faz-se entre a pentose de um nucleótido com o grupo fosfato do seguinte, constituindo-se desta forma cadeias de nucleótidos ou cadeias polinucleotídicas. Estas cadeias iniciam-se sempre por um grupo fosfato, terminando numa pentose.

De acordo com o modelo proposto em 1953 por Watson e Crick, a molécula de DNA é constituída por duas cadeias polinucleotídicas antiparalelas, ou seja, com sentidos de crescimento inversos e dispostas helicoidalmente. Esta dupla hélice mantém-se unida devido à complementaridade das bases azotadas, que estabelecem entre si ligações químicas por pontes de hidrogénio. A adenina do nucleótido de uma cadeia emparelha com a timina de um nucleótido da outra cadeia e a citosina emparelha sempre com a guanina, daqui resultando que o número de nucleótidos de A é, aproximadamente, igual ao de T e o de G ao de C. A partir destes dados pode deduzir-se que (A + C)  = (T + G) ou (A + C) / (T +G) = 1.

A molécula de RNA é constituída por uma cadeia polinucleotídica simples que, por vezes, pode dobrar sobre si própria quando se estabelecem ocasionalmente pontes de hidrogénio entre as bases complementares. Existem vários tipos de RNA que são estrutural e funcionalmente diferentes, dos quais se destacam o mRNA (mensageiro), o tRNA (transferência) e o rRNA (ribossómico).

Nas células eucarióticas, o RNA é geralmente sintetizado no interior do núcleo, migrando depois para o citoplasma, onde desempenha a sua função. O DNA permanece no interior do núcleo, exis-tindo também no interior de determinados organelos, como as mitocôndrias e os cloroplastos.