Catastrofismo e Uniformitarismo

O catastrofismo defende que muitos dos aspectos da crosta terrestre hoje observados, como as suas deformações ou o registo fóssil, são o resultado de cataclismos ou catástrofes ocorridos no passado. Nessa perspectiva, tais fenómenos constituem o principal motor evolutivo da his­tória da Terra.

O uniformitarismo defende que as características da Terra resultaram de processos ancestrais semelhantes aos que se verificam actualmente, ou seja, as alterações sofridas pela Terra ao longo da sua história resultaram da acção dos mesmos agentes que a alteram no presente, podendo haver variação no grau de intensidade da sua acção. Nessa perspectiva, pode considerar-se que, de acordo com o princípio do actualismo geológico, “o presente é a chave para o passado”. Ini­cialmente proposta por James Hutton (1785), esta visão da evolução do planeta seria mais tarde aprofundada por Charles Lyell (1830) sob a ideia de gradualismo uniformitarista, segundo a qual os acontecimentos geológicos são o resultado de processos lentos e graduais.

O debate científico posterior estabeleceu uma síntese destas duas perspectivas. Por um lado, as catástrofes são e foram determinantes na modelação e evolução da superfície terrestre, como o demonstram as grandes erupções vulcânicas actuais e passadas, as crateras reveladoras de grandes impactos meteoríticos, as grandes inundações ou as extinções em massa reveladas pelo registo fóssil (por exemplo, a extinção de inúmeros grupos de seres vivos no final do Cretácico, de onde se destacam os dinossauros). Por outro lado, no planeta verificam-se transformações lentas e contínuas decorrentes de processos geológicos presentes ao longo de toda a história da Terra, como os movimentos orogénicos (levantamentos montanhosos), consequência dos movi­mentos tectónicos, ou os fenómenos de erosão, transporte e deposição ocorridos em virtude da acção dos agentes atmosféricos à superfície.