Argumentos a Favor do Evolucionismo

Apesar dos mecanismos pelos quais as espécies originam novas espécies serem ainda discuti­dos, encontra-se já consolidada a ideia de que elas se modificam e evoluem ao longo do tempo. Desde Darwin até ao presente, os dados recolhidos por vários ramos da Biologia e da Geologia parecem confirmar o evolucionismo.

Argumentos paleontológicos

  • O estudo do registo fóssil confirma a presença de espécies extintas, o que contraria a ideia de imutabilidade das espécies (ex.: dinossauros, amonites e trilobites).
  • A descoberta de séries ou sequências de fósseis ilustram as modificações sofridas ao longo de um processo evolutivo por determinados grupos (ex.: série do cavalo)
  • A existência de fósseis de transição ou formas sintéticas sugere a existência de antepassa­dos comuns para diferentes grupos de seres vivos. Estes fósseis apresentam características de dois grupos distintos, como, por exemplo, o Archaeopteryx, que apresenta caracteres comuns aos Répteis, dentes e escamas, e às Aves, penas e asas.

Argumentos anatómicos

A anatomia comparada baseia-se no estudo comparado das formas e estruturas dos organis­mos com o fim de estabelecer possíveis relações de parentesco entre elas. A presença de órgãos homólogos, análogos e vestigiais são provas importantes que evidenciam relações filogenéticas ou de parentesco entre diferentes espécies, realçando a unidade existente entre as diferentes formas de vida consideradas.

Órgãos ou estruturas homólogas são órgãos que têm a mesma origem, a mesma estrutura básica e posição idêntica no organismo, podendo desempenhar funções diferentes. A sua existên­cia explica-se à luz do evolucionismo por fenómenos de divergência. À medida que os indivíduos de uma população inicial se iam adaptando a diferentes ambientes, estes órgãos evoluíram de forma diferente a partir de uma estrutura ancestral comum. Nesses contextos ambientais, esses órgãos passaram a desempenhar funções diferentes, o que reflecte uma evolução divergente. Exemplos de órgãos homólogos são os membros anteriores dos Vertebrados (barbatana da baleia, asa do morcego ou braço humano).

Órgãos ou estruturas análogas são órgãos que têm origem, estrutura e posição relativa dife­rentes, desempenhando uma mesma função. Estes órgãos surgem quando espécies ancestrais diferentes colonizam habitats semelhantes, adquirindo adaptações semelhantes. Este fenómeno conduz a uma evolução convergente. Exemplos de órgãos análogos são a cauda da baleia e á barbatana caudal do peixe ou, nas plantas, os espinhos dos cactos e os das eufórbias.

Órgãos ou estruturas vestigiais são órgãos que resultam da atrofia de um órgão primitiva­mente desenvolvido. Nestes órgãos, a selecção actua em sentido regressivo, privilegiando os indivíduos que possuem estes órgãos na sua forma menos desenvolvida. Exemplos destes órgãos no ser humano são: o apêndice intestinal, as vértebras caudais, os músculos auriculares e o dente do siso.

Argumentos citológicos

A teoria celular afirma que todos os seres vivos são constituídos por células. O facto de exis­tir uma certa uniformidade nos processos e mecanismos celulares dos seres dos vários reinos (por exemplo, mitose e meiose) constitui também um forte argumento a favor de uma origem comum para os seres vivos.

Argumentos bioquímicos

As provas bioquímicas apoiam a evolução na medida em que reforçam a ideia de origem comum dos diferentes grupos de seres vivos. De entre esses argumentos destacam-se:

— as vias metabólicas comuns (ex.: síntese de proteínas, processos respiratórios e modos de actuação das enzimas);

— a universalidade do código genético e do ATP como energia biológica utilizada pelas células;

  • a semelhança existente entre os compostos orgânicos evidenciada, por exemplo, através das sequências de aminoácidos da mesma proteína em diferentes organismos ou da sequência de nucleótidos nas cadeias da molécula de DNA, que permitem esclarecer as relações evolutivas existentes entre eles;
  • as reacções sorológicas, baseadas nas reacções de aglutinação entre antigenes de um organismo e anticorpos de outro, que permitem não só considerar que esses organismos evoluíram de um ancestral comum mas também esclarecer as relações filogenéticas entre eles.