Aparecimento de vida na Terra

O subsistema do nosso planeta constituído por todas as formas de vida, desde as mais sim­ples até às mais complexas, e ambientes por eles ocupados forma a biosfera. Admitindo que ecossistema é o conjunto formado pela comunidade, pelo meio físico que ocupa (biótopo) e pelas interacções que se estabelecem entre eles, podemos considerar que a biosfera é o sistema global que engloba todos os ecossistemas terrestres.

O planeta Terra formou-se há cerca de 4600 M.a., mas foram precisos muitos milhões de anos para que se criassem as condições ideais para o aparecimento das primeiras formas de vida e posterior processo evolutivo do qual se podem considerar as seguintes etapas hipotéticas:

  • Aparecimento dos primeiros seres vivos. Estes seriam unicelulares procarióticos, constituí­dos apenas por uma única célula com estrutura muito simples e sem núcleo individualizado. Teriam sido as únicas formas de vida a povoar a Terra durante cerca de 2000 M.a.
  • Algumas destas células desenvolveram a capacidade de realizar a fotossíntese, processo pelo qual obtinham compostos orgãnicos a partir do dióxido de carbono atmosférico, libertando para a atmosfera oxigénio como produto residual. Este fenómeno conduziu a alterações importantes na atmosfera terrestre, com a redução na concentração de dióxido de carbono e o aumento da concentração do oxigénio.
  • Aparecimento de seres unicelulares eucarióticos, constituídos por células de organização complexa e com um núcleo bem individualizado, a partir de seres procarióticos.
  • Aparecimento de seres com organização colonial e, mais tarde, seres multicelulares cor níveis crescentes de diferenciação celular.
  • Colonização do ambiente terrestre.

Ao longo da história da Terra apareceram muitas e diversas formas de vida, a maior parte das quais se extinguiram. Os milhões de espécies actuais representam apenas uma pequena fracção de todos os seres que existiram na Terra ao longo da sua história. Esta diversidade de formas de vida existente, conhecidas e desconhecidas, bem como as que desapareceram ao longo da his­tória do planeta, constitui a biodiversidade.

Nos ecossistemas, as interacções mais significativas entre os seres vivos são as relações ali­mentares ou tróficas, que podem ser representadas sob a forma de cadeias alimentares. Nestas cadeias verificam-se transferências de energia e de matéria entre os diferentes níveis tróficos. A energia entra nos ecossistemas, geralmente, sob a forma de energia luminosa e é transformada noutras formas de energia, à medida que flui de um nível trófico para outro nível trófico, sendo na sua maioria dissipada para o meio sob a forma de calor.

Como os seres vivos utilizam várias fontes de alimento e constituem eles próprios uma de alimento para mais de um tipo de organismos, há uma grande variedade de cadeias que inter-relacionam os diferentes organismos de um ecossistema, constituindo as “redes” tróficas. De acordo com a sua interacção trófica, os organismos podem classifi­tores, consumidores e decompositores.

Os produtores sintetizam matéria orgânica a partir da matéria inorgânica. Este grupo inclui as plantas, algas e algumas bactérias, que utilizam a energia solar para a realização da fotossintese, e ainda os organismos quimiossintéticos. Os consumidores necessitam de se alimentar & outros organismos para obterem matéria orgânica, uma vez que são incapazes de a produzir. Este grupo inclui os animais e os protozoários. Os decompositores ou microconsumidottes, fungos e algumas bactérias, degradam a matéria orgãnica (cadáveres, excrementos, restos vege­tais), libertando as substâncias minerais resultantes da sua transformação para a geosfera. Estas substâncias inorgânicas retornam assim ao meio ambiente, podendo ser utilizadas novamente por outro produtor, num processo cíclico de reutilização da matéria.